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Seca prolongada causa perdas e sofrimento em Pintadas e região


Que seca no Nordeste não é novidade, todo nordestino sabe. Períodos de longas e severas estiagens como 1934/1936, 1963/1964, 1979/1985, 1997/1999, além de outros longos intervalos sem chuvas, inclusive nesse novo milênio, não são esquecidos por quem viveu esses períodos. 

Nos últimos anos, mesmo com as tecnologias chegando ao campo e os produtores cuidando mais da produção e do armazenamento de alimento animal (palma, feno, silo, etc), com a construção de barragens, de cisternas e com perfuração de poços artesianos, diminuiu um pouco os danos mas o sofrimento, principalmente dos animais, ainda é grande, desestimulando quem mora na zona rural e refletindo negativamente na economia regional.
Reservatórios secam e preocupam o homem do campo
O Centro Comunitário de Serviços de Pintadas, entidade pioneira em projetos de convivência com a seca na região, que fomentou, através de convênios e parcerias com entidades públicas e privadas nacionais e internacionais, ações e iniciativas como o Projeto Pintadas ainda na década de 1980, e que desde lá vem atuando fortemente na área de assistência técnica agropecuária, aponta, através de seus técnicos, que é possível criar maneiras de resistência aos longos períodos de longa estiagem.

Segundo Nereide Segala, agricultora familiar com atuação no Programa Adapta Sertão, o desmatamento é um dos principais fatores para a seca, pois além de influenciar no aumento das temperaturas, causa erosão e leva o solo a ficar cada vez mais com baixa capacidade produtiva. Ela diz que numa tentativa de compensar a devastação da caatinga nativa, árvores como algaroba, por exemplo, estão sendo inseridas na região, mas que essas pouco contribuem para recuperação do bioma local, por serem originárias de regiões com clima diverso. 
Até mesmo a palma não tem conseguido resistir a seca
“As estiagens levaram os produtores da região a saírem do plantio de mandioca, milho, feijão, etc. para a criação de animais, buscando sobreviver no campo, mas, infelizmente, essa produção de carnes não tem sido suficiente para garantir renda e sobrevivência satisfatórias”, afirma Nereide. Sobre perdas de animais por conta da seca, ela diz que para os pequenos agricultores familiares foram mais perdas econômicas por terem que vender uns para manter outros, mas que produtores de médio e grande porte tiveram perdas significativas, por mortes, nos últimos anos.

Para ela há necessidade de os produtores tomarem outra consciência, porque a região está saindo da característica de semiárida para a situação de árida e porque estudos apontam que vai aumentar o esvaziamento do campo e que, por isso, haverá necessidade de aumentar em cerca de 46% (quarenta e seis por cento) a produção de alimentos para sustentar as populações urbanas. 
Produtores aumentaram o espaço reservado a produção de palma
Assim, será necessário repensar os modos de produção, usando tecnologias apropriadas para regiões áridas, onde as chuvas são escassas, passageiras e concentradas em alguns meses do ano. Dados de controle pluviométrico feito em sua propriedade indicam essa irregularidade. Veja tabela referente anos 2015 e 2016.
O técnico agrícola, Agnaldo Oliveira Rios, Didi, que trabalha na Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Município de Pintadas, informou à reportagem da RcsNews, que ao longo dos últimos anos as iniciativas públicas como cisternas, barreiros, cuidado com as aguadas, perfuração de poços e principalmente a assistência técnica tem ajudado a reduzir os impactos, mas quando longos períodos de estiagem como esse acontecem é impossível que as dificuldades não fiquem evidentes e desestimulem o homem do campo e em especial o produtor rural.

De modo geral, nos últimos anos as chuvas na região tem sido “passageiras” e localizadas, às vezes enchendo as barragens, mas não perdurando por tempo suficiente para que as pastagens brotem e cresçam, como também não dando condições de os agricultores plantarem e colherem.
Produtores recorrem ao mandacaru para alimentar os animais
Para o ano de 2017 há previsão de chuvas mais regulares para a Bahia, inclusive para as regiões da Bacia do Jacuípe, do Sisal e da Chapada Diamantina, mas o grau de confiança do nordestino nessas previsões tem sido pouco, visto que essas quase nunca se confirmam.

Agricultores, pecuaristas, entidades e poder público dos municípios da região demonstram grande preocupação com a longa estiagem, enquanto torcem para que as chuvas cheguem o mais rápido possível e abrandem o sofrimento dos animais e os prejuízos que corroem a economia regional, já fragilizada pela crise econômica que o País enfrenta.






Fonte: RCSNews
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